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A Importância da Qualidade do Ar

Qualidade do Ar em Ambientes Climatizados Artificialmente

A Importância da Qualidade do Ar

Você sabe quantos litros de ar você respira por dia? Acredito que a resposta seja não, mas se eu te perguntar quantos litros de água você bebe? Garanto que me dará uma resposta, mesmo que aproximada. E isso é natural, afinal de contas fomos ensinados, desde pequenos, a nos preocupar com a qualidade da água que bebemos e alimentos que consumimos, mas NÃO com a qualidade do ar que respiramos.

Respondendo a primeira pergunta: respiramos entre 9 a 15 MIL LITROS DE AR por dia (a variação deste valor se dá em função das diversas atividades físicas desenvolvidas, o porte de cada pessoa e da sua idade), muita coisa né! Isso, por si só, já deveria ser mais do que suficiente para você começar a se importar com a qualidade do ar do ambiente em que você passa boa parte da sua vida, no seu trabalho e em ambientes coletivos climatizados, tais como shopping, Cinemas, meios de transporte e outros.

É sabido que o homem pode sobreviver vários dias sem a ingestão de alimentos e alguns dias sem ingestão de água. Em média, o consumo de alimentos e de água diários de um homem é da ordem de 1 quilo e 2 litros respectivamente. Quanto ao AR a autonomia restringe-se à sobrevivência por ALGUNS MINUTOS sem a respiação.

Abaixo trazemos algumas questões e repostas do por que devemos nos preocupar com a qualidade do ar em ambientes climatizados.


1) Porque avaliar a Qualidade do Ar Interior?

Estudos indicam que a qualidade do ar interior pode ser de 2-5 vezes pior do que o ar exterior, por isso a necessidade de atentarmos para a manutenção e o monitoramento dos sistemas de climatização.

Segundo NTT (2003) é corriqueiro mensurar em até 100% o nível de contaminação do ar de um ambiente climatizado em relação ao nível de contaminação do ar externo. Isto se deve ao acúmulo de umidade e poeira que ocorre em ambientes climatizados e, portanto, a proliferação de microorganismos é muito maior do que em ambientes abertos. Outro aspecto responsável pela contaminação de um ambiente é a concentração de pessoas, sendo que estas são responsáveis pela liberação CO2, odores e aumento da carga térmica devido ao seu metabolismo.

Segundo NIOSH (1987), dentre os principais sintomas de pessoas ocupantes dos ditos ambientes destacam-se as infecções, as reações alérgicas e irritantes, dores de cabeça e articulares, irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse seca, dermatites, fadiga, sonolência, dificuldade de concentração, sensibilidade a odores, congestão, sinusite, falta de ar, rinite alérgica, asma brônquica, doença do Legionário, perda de produtividade e por fim, a ausência frequente ao trabalho, conhecida como absenteísmo.

Um termo bastante difundido em função dos sintomas relacionados anteriormente e apresentado por MCQUISTON e PARKER (1994) é "Síndrome dos Edifícios Doentes" (SED), que denomina a situação dos edifícios que possuem um número superior a 20% de ocupantes portando os sintomas descritos por NIOSH (1987) por pelo menos duas semanas e que esses sintomas desaparecem ao deixar de freqüentar o edifício.

Uma divisão nesta denominação se faz necessária para caracterizar os edifícios novos ou que sofreram alguma reforma arquitetônica ou manutenção do sistema de climatização, e, por conseguinte os sintomas apresentados anteriormente pelos ocupantes diminuíram ou desapareceram ao longo do tempo. Os edifícios enquadrados nesta situação passam a serem chamados de “Edifícios Temporariamente Doentes” e aqueles onde os sintomas permanecem mesmo após as medidas corretivas, são chamados de “Edifícios Permanentemente Doentes”.


2) Quais empresas devem realizar tais avaliações?

Exigência para qualquer empresa, pública ou privada, que possua no mesmo cnpj sistema de ar condicionado, na sua soma, igual ou superior a 60.000 BTU/h (5TR), independente do tipo de sistema, ou seja: equipamentos de janela, split ou centrais.

Periodicidade SEMESTRAL.

Conforme RE 09/2003-ANVISA e Lei Federal 13.589/2018.


3) O que deve ser avaliado?

Os parâmetros químicos, físicos e biológicos descritos na RE 09/2003-ANVISA:

Fungos Viáveis, CO2, Temperatura do Ar, Umidade do Ar, Velocidade do Ar e Poeira Total.

ü Norma Técnica 001: Fungos Viáveis: ≤750 ufc/m³ – Relação I/E ˂1,5

ü Norma Técnica 002: CO2: ≤1000ppm

ü Norma Técnica 003: Velocidade do Ar: ≤0,25

ü Temperatura do Ar: 20° a 27º

ü Umidade: 35% a 65%

ü Norma Técnica 004: Poeira Total: ≤80µ/m³


4) Como é definida a estratégia e seus objetivos?

Sendo identificado o enquadramento da empresa dentro do valor de 60.000 BTU/h ou mais, conforme RE 09/2003-ANVISA. Segue-se a estratégia de amostragem definida pela referida Resolução.

Define-se o número de amostras de ar interior, tomando por base a área construída climatizada dentro de uma mesma edificação e razão social (abaixo tabela de estratégia de amostragem).

Seleciona-se 01 amostra de ar exterior - localizada fora da estrutura predial na altura de 1,5m do nível da rua.

As unidades funcionais dos estabelecimentos com características epidemiológicas diferenciadas, tais como: serviço médico, restaurantes, copas, manipulação de alimentos, laboratórios, creches, auditórios e outros, deverão ser amostrados isoladamente.

Objetivos:

Norma Técnica 001:

Pesquisa: Fungos - Bioaerosol viáveis dispersos no ar.

O objetivo desta NT é a pesquisa, monitoramento e controle ambiental de possível colonização, multiplicação e disseminação de FUNGOS em ar ambiental interior climatizado de uso coletivo, destinado à ocupações comuns,

O valor máximo aceitável para contaminação microbiológica deve ser ≤750 ufc/m³ de fungos, para a Relação I/E ≤1,5.

Nesta NT é avaliada a Relação I/E, onde I é a quantidade de fungos no ambiente interior e E é a quantidade de fungos no ambiente exterior.

A Relação I/E é exigida como forma de avaliação frente ao conceito de normalidade, representado pelo meio ambiente exterior e a tendência epidemiológica de amplificação dos poluentes nos ambientes fechados.

Quando o VMR for ultrapassado ou a Relação I/E for ˃1,5, é necessário fazer um diagnóstico de fontes poluentes para uma intervenção corretiva.


Norma Técnica 002:

Pesquisa: CO2 – Análise da Concentração de Dióxido de Carbono em Ambientes Interiores.

O objetivo desta NT é a pesquisa, monitoramento e controle do processo de renovação do ar interior em ambientes climatizados artificialmente, de uso público e coletivo.

O valor máximo aceitável para contaminação química deve ser ≤1000 ppm de Dióxido de Carbono (CO2), como indicador de renovação de ar externo, recomendado para conforto e bem-estar dos ocupantes.

Quando o VMR for ultrapassado é necessário fazer um diagnóstico de fontes poluentes para uma intervenção corretiva.

*A Taxa de Renovação do Ar adequada de ambientes climatizados será, no mínimo de 27 m³/hora/pessoa, exceto no caso específico de ambientes com alta rotatividade de pessoas. Neste caso a Taxa de Renovação do Ar mínima será de 17 m³/hora/pessoa, não sendo admitido em qualquer situação que os ambientes possuam uma concentração de CO2 , maior a estabelecida pela Resolução 09/2003-ANVISA.


Norma Técnica 003:

Pesquisa: Agentes Físicos – Temperatura do Ar, Umidade do Ar e Velocidade do Ar em Ambientes Interiores climatizados artificialmente.

OBJETIVO: Pesquisa, monitoramento e controle do processo de climatização de ar em ambientes interiores climatizados artificialmente.

Os valores de referência para os parâmetros são:

  • Velocidade do Ar: ≤ 0,25

  • Temperatura do Ar: 20° a 27º

  • Umidade: 35% a 65%


Norma Técnica 004:

Pesquisa: Contaminação química – Análise de Concentração de Aerodispersóides em Ambientes Interiores Climatizados.

OBJETIVO: Pesquisa, monitoramento e controle de aerodispersóides totais em ambientes interiores climatizados. O valor recomendável para Poeira Total é de 80ug/m3.


Renovação do Ar

A taxa Taxa de Renovação do Ar adequada em ambientes climatizados será, de no mínimo 27m³/hora/pessoa, exceto no caso específico de ambientes com alta rotatividade de pessoas, neste caso específico, a Taxa de Renovação de Ar será de no mínimo de 17m³/hora/pessoa.

*As condições meteorológicas locais (temperatura, umidade relativa, ventos, precipitação pluviométrica) que determinam uma maior ou menor dispersão dos poluentes presentes no ar, que podem estar na fase gasosa ou na forma de material particulado, afetam diretamente o ar interior.

*Desta forma, a qualidade do ar em ambientes internos mostrou-se ser um tema de pesquisa relevante nos últimos 15 anos, principalmente na área de saúde pública, levando a concepção de novas políticas públicas.

* Com a descoberta que baixas trocas de ar, entre ambientes externos e internos, geram um aumento considerável na concentração de poluentes químicos e biológicos no ar.

* Também é observado que há uma clara contribuição das pessoas e das suas atividades ocupacionais para a poluição do ar em ambientes fechados. Nas atividades metabólicas tanto no ato de respirar como no ato de transpirar, contribui para a dispersão de substâncias químicas no ar, e, além disso, facilitam o transporte de microorganismos.

*Sendo o principal acesso para a entrada de agentes poluente presentes no ar, no nosso organismo, as vias respiratórias. Em decorrência disso se faz necessária a troca de ar eficiente.

*E para garantir uma boa qualidade do ar interior à utilização de filtros de classe G1 é obrigatória na captação de ar exterior. O Grau de Pureza do Ar nos ambientes climatizados será obtido utilizando-se, no mínimo, filtros de classe G-3 nos condicionadores de sistemas centrais, minimizando o acúmulo de sujidades nos dutos, assim como reduzindo os níveis de material particulado no ar insuflado.

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